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| Empresa do Paraná venceu a licitação. Será que os carros terão chapa de lá? |

Ao final do contrato, um ano apenas, a Câmara terá despendido nada menos que 303.600 reais. Dinheiro suficiente para comprar, ela mesma, os dez veículos, ao preço de 30 mil reais cada, aumentando assim e de fato o patrimônio municipal. Há veículos anunciados até por 23.900 reais, simples, é verdade. Mas por 30 mil ele virá com muitos opcionais, oferecendo conforto.
Mesmo porque, para visitar as ruas de São Sebastião e seus bairros mais afastados, quem vai precisar de um veículo suntuoso, que só demonstraria mau uso do dinheiro público? O que um carrão faz pelas bandas de cá, um golzinho também faz. Com mais facilidade e muito melhor, com mais economia de combustíveis e menos despesas de manutenção. Com um ano de uso, se usado conforme recomendações do fabricante, o carro não irá apresentar problema algum. E durará por muitos anos ainda.
Ademais, para se comprarem dez carros de uma só tacada consegue-se um preço especial: a compra feita por órgão de governo tem regalias no custo. Com o contrato, depois de um ano, a Câmara só terá pago e quem de fato lucrará será a firma vencedora da licitação. Ela ficará com os veículos todos, como se diz por aí, "no beiço".
Grosso modo é assim: a Câmara adquire dez veículos, paga todos eles durante um ano, e depois disso é como se doasse os carros à firma que bolou a jogada, que sai no lucro total.
Um péssimo negócio para a Câmara Municipal e seu povo, que paga a conta, e um excelente investimento para o fornecedor dos veículos. E depois tudo se repete no ano seguinte, no seguinte, no seguinte, a perder de vista...
Como diz o pensador nordestino Falcão, não há c... que aguente. O próprio extrato de contrato já prevê a sua prorrogação “por igual período”. É o fim.
São dez veículos zero quilômetro jogados pela janela a cada ano. Um desperdício de dinheiro público, um dilapidamento do patrimônio praticado por exatamente aqueles que juraram defendê-lo no momento da posse no cargo público.
Só não vê quem não quer. Dentre os ceguetas, inclua-se o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Este, o míope maior...

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