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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Vereadores de Caraguá abusam da falta às sessões

Ninguém entende muito bem por quê, mas de uns tempos para cá vereadores de Caraguá vêm faltando seguidamente às sessões e trazendo atestados médicos e outras justificativas para abonar a falta. Basta leitura em sessão para que a coisa fique sacramentada.

A falta dos vereadores às sessões não é regulada pelo regimento interno da Câmara nem por eventual lei fixadora dos seus subsídios. A falta, pela seriedade do tema, é tratada no Decreto-Lei 201, de 1967, aquela legislação temida que regula a cassação do mandato de prefeitos e vereadores.

Provavelmente os vereadores não sabem disso. Do contrário não estariam abusando. Existe limite para as faltas, que jamais são supridas por atestado médico, como acontece com funcionários comuns. O vereador precisa se licenciar para cuidar da saúde, oportunidade em que é substituído pelo seu suplente. Eis aí a razão para a existência do suplente de vereador.

Ao trazerem atestados, estão prejudicando legítimo interesse do suplente de assumir durante a ausência do titular. Pelo andar da carruagem, tem muito vereador na marca do pênalti sem o saber, perigando perder o mandato por mero desconhecimento da lei.

Neste caso, não se trata de cassação de mandato, com todo o seu ritual, com prazos para defesas e depois votação pela Câmara Municipal. Trata-se de extinção do mandato. Basta a simples comprovação do fato extintivo (número de faltas) para se expedir o Decreto Legislativo, mandando o mandato do vereador para as cucuias. Sem votação, discussão, sem maiores defesas, sem nada.

Basta que qualquer cidadão provoque o pronunciamento da Mesa da Câmara em relação ao faltoso. A Mesa terá de agir, sob pena de ela própria sofrer sanções. Como já se comprovou, pessoas interessadas nisso não faltam, principalmente suplentes, que poderiam assim ganhar um mandato na moleza.

Somente para ilustrar, transcrevemos abaixo texto de “curtas” do jornal Imprensa Livre de ontem, 15 de setembro:

Justificativa
Os primeiros cinco minutos da sessão ordinária de Caraguá, de terça feira, foram somente leitura das justificativas das ausências dos vereadores nas sessões anteriores. Primeiro Silmara Mattiazzo (DEM) alegando a falta de informação sobre a transferência dos trabalhos do dia 6 para o dia 5. Depois Pedro Ivo de Souza Tau (DEM) também informando que não ficou sabendo da sessão extraordinária. E, por fim, o vereador neto Bota (PSDB) de licença médica.”

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O oportunista Vicentinho

Recebemos do leitor Sérgio Cruz o seguinte texto opinativo:

Hélio Monteiro:
o verdadeiro pai da criança
O deputado federal Vicentinho de Tal, do PT, esteve visitando o litoral norte nesta segunda-feira e dentre os assuntos que abordou estava a instalação de uma universidade federal na região.

Oportuna a intervenção do parlamentar, daí o título deste texto. Oportuníssima até, mas apenas para apoiar. Nunca para iniciar um eventual processo legislativo, que não existe neste caso por ser ato de caráter estritamente executivo. Nem para arvorar-se em "pai da criança".


O propalado “projeto de lei” de sua autoria que estaria tramitando na Câmara Federal não passa de falácia. Explica-se: foge da competência parlamentar a criação de universidades onde quer que seja. Por gerar despesas, a iniciativa cabe somente ao chefe do Poder Executivo Federal, no caso à presidentA Dilma.

Apresentar projeto quando sabe que a medida é inconstitucional, eis aí o oportunismo. Quer tornar-se mãe e pai de algo sem ter útero nem pênis. Não dá. Que engane aos desavisados, mas não suponha que todos sejam crédulos a ponto de engolir tudo que vem “de cima para baixo”.

Sabe-se à farta, às burras, que um jovem de Caraguá vem se empenhando ao máximo para conseguir a criação de uma universidade federal gratuita para o Litoral Norte, com ensino de qualidade. Esse jovem chama-se Hélio Monteiro. E sua luta em prol dessa idéia vem sendo coroada de êxito e ganhando forças a cada dia.

Até a Brasília ele foi para defender seu ponto de vista e a receptividade foi das melhores. Já há um processo tramitando sobre isso e não é do Vicentinho, não. Um processo em sede apropriada –Poder Executivo– e não em outro poder –Legislativo– ao qual a Constituição Federal nega competência para iniciar assuntos desse gênero – que gera despesas.

Vicentinho deve ter ouvido o galo cantar e achou bonita a canção e logo atinou para o fato de que ela pudesse lhe render votos nas próximas eleições. E tascou um projeto em cima, buscando tornar-se pai da criança concebida por outrem.

Oportunista, digo-o de novo. E ainda tem a cara-de-pau de vir à região “apresentar a sua grande idéia”, surrupiando-a do jovem Hélio Monteiro.

Essa gente do PT, vou te dizer uma coisa...
Sérgio Deodato Cruz
de Caraguá

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Picuinha na Ilhabela: agora querem cassar vereador...

O Partido Verde, dirigido pelo vice-prefeito e atual secretário municipal de Esportes, Nuno Gallo, entrou na Câmara Municipal com pedido de cassação do vereador Erik Pinna, do PR.

O pedido poderá ser lido na sessão ordinária de amanhã, 13/setembro. Se acatado pelos vereadores, uma comissão processante será formada. O acusado irá se defender e por fim, lá na frente, depois de todo o trâmite burocrático, a Câmara julgaria o processo, cassando ou não o mandado do vereador.

São três as acusações que, segundo Gallo, quebrariam o decoro parlamentar: 1 - insinuar que um companheiro vereador teria em seu poder um parecer do Cepam, um órgão do governo que fornece pareceres jurídicos às Câmaras Municipais; 2 – assinar ata de uma sessão solene sem estar presente; 3 – pedir para os vereadores votarem no projeto da ficha limpa, ainda que apresentasse traços de inconstitucionalidade.

Como se vê, uma verdadeira heresia e uma vergonha para o povo de Ilhabela ter um assunto da mais alta relevância –cassação de mandato– ser tratado em tão baixo nível. Nenhum dos pedidos configuram atos tipificadores da falta de decoro parlamentar. Forçaram a barra. Só interesses menores justificariam uma atitude dessas.

Na verdade – só não vê quem não quer – tudo não passa de uma armação para cassar o mandato de Pinna ou, ao menos, dar-lhe um susto. Explica-se: Pinna é o autor do projeto que tramita pela Câmara de Ilhabela e institui a ficha limpa no município. O projeto incomoda o prefeito, e Gallo, revelando-se lacaio do Executivo, se apressou a ser o delator.

O rinhoso está equivocado. Insinuar algo não é falta de decoro parlamentar. Nem nunca foi. É direito de qualquer vereador assegurado pela mesma Constituição Federal que ele tanto invoca quando quer defender suas teses, todas elas tão absurdas quanto esse pedido de cassação de mandato que agora apresenta.

Talvez ele desconheça que essa mesma Constituição diz que os vereadores são “invioláveis” por suas palavras, votos e opiniões. Ele sequer deve atinar para o sentido de “inviolabilidade”, do contrário não estaria pagando esse mico.

Pela mesma razão que qualquer vereador pode falar à vontade na defesa de seu ponto de vista, ele também pode votar à vontade, seja a matéria constitucional ou não.

A inviolabilidade protege o político por PALAVRAS, VOTOS e OPINIÕES e assegura a plena democracia. Ademais, a Câmara Municipal nunca foi a sede própria para se declarar a inconstitucionalidade ou a constitucionalidade de p... nenhuma. Isso é papel dos tribunais.

Antes de apresentar o pedido atendendo a ordens superiores, fazendo as vezes de pau-mandado, o distinto deveria consultar um advogado. Melhor, advogado, não: qualquer funcionário da Câmara de Ilhabela, a começar pela copeira, saberia dar-lhe essa informação, de tão simples que ela é. Isso, se o catador de papelão da esquina não pudesse desanuviar-lhe a questão.

O terceiro item, assinar ata de sessão a que não compareceu, trata-se de mero equívoco sanável na esfera administrativa. Configurando-se erro evidente –já que o vereador justificara sua falta com atestado, e não faria sentido assinar a presença depois, haveria conflito– bastaria observação de funcionário da secretaria atestando a invalidade daquela assinatura, apontando à margem o número de processo de justificativa da falta do vereador.

Querer cassar um mandato legitimamente conferido pelo povo por esses “motivos”, é forçar por demais a barra, é escancarar por demais a própria subserviência. Mais que isso: é dar sinais de despreparo e literalmente assinar atestado de incompetência para si mesmo.

A palavra “poderá” negritada no início deste texto tem sua razão de ser.

A Câmara Municipal, com tantos afazeres e agendas a cumprir, principalmente promover a agilização da votação do projeto da ficha limpa (pivô de toda essa celeuma), tão aguardado pela população ilhabelense, deveria de pronto remeter ao arquivo –melhor seria: ao cesto do lixo– a representação gallesca por ser ela totalmente descabida e desprovida de fundamentos. Discutir essa “coisa” seria desperdício de precioso tempo.

Afinal, o arquivo ou o lixo, é o local para onde as pessoas responsáveis devem enviar esse tipo de excrescência. Dinheiro do povo não é capim para custear picuinhas de pessoas que se deviam ocupar com coisas realmente úteis para a comunidade.

E manda o tal de gallo ir cantar em outro terreiro...

Vereadores de Caraguá: Tô nem aí...

É assim que a seção "curtas" do jornal Imprensa Livre de hoje, 12/9, inicia seu comentário a respeito do comportamento dos vereadores de Caraguá quando estão em sessão de Câmara.

Soa incompreensível ou no mínimo antiético os vereadores ficarem ao celular, nos bastidores, tomando cafezinho, enquanto colegas falam ou lêem os projetos. Parece que não dão a importância devida aos assuntos tratados.

O comentário do jornal foi além:

"Não foi a primeira vez que se observou uma atitude dos vereadores enquanto um de seus colegas, Baduca Filho (sem partido), lia os projetos de lei que seriam votados na sequência. Já está se tornando comum ser este o momento predileto dos nobres colegas para conversar paralelamente, ligar e atender telefonemas e até mesmo sair da sala para tomar um café. Diante de tudo isso, fica a dúvida: por que então ler estes projetos? Se nem mesmo os vereadores estão preocupados em prestar a atenção?"

Falta de vereadores virou rotina nas sessões de Câmara de Caraguá

Depois de faltar a duas sessões consecutivas, a vereadora Silmara Mattiazzo, de Caraguá, compareceu à sessão de Câmara extraordinária que aconteceu na última sexta-feira, 9 de setembro, que foi marcada por uma certa tensão entre os vereadores, que não se entendiam a respeito dos projetos em pauta. A sessão chegou a ser paralisada por quinze minutos.

Foram votados e aprovados três projetos de iniciativa do prefeito Antonio Carlos. Em apenas um hora de trabalho, os vereadores aprovaram o projeto que permite convênio entre a prefeitura e a fundação Orsa para atuação na área social, a concessão de bolsas de estudos a funcionários e o projeto sobre a concessão de incentivos fiscais para equipamentos turísticos. Este último, o motivo das discussões e suspensão dos trabalhos.

A falta de vereadores à sessão de Câmara virou rotina em Caraguá. Isto porque, com um simples atestado, de médico ou dentista, o vereador "abona" a sua falta e nada perde, mesmo contrariando a lei que disciplina o assunto. Nesta sessão extraordinária, por exemplo, o vereador Pedro Ivo não apareceu.

Por conta disso, tem muito vereador literalmente na "linha do pênalti" em razão de suas reiteradas faltas. Será que eles têm consciência disso? Como nesta terra o que não falta é gente procurando pêlo em ovo, é muito perigoso para os vereadores baixarem a guarda desse jeito.

O Sete de Setembro e a quarta-feira de cinzas dos corruptos

Recebemos o texto abaixo enviado pelo leitor Josevaldo Nunes, a propósito das comemorações do Sete de Setembro. Trata-se de uma crítica publicada pela Revista Veja, interessante pela forma como o texto é apresentado e pelas idéias nele contidas. Um exercício de criatividade. 

Se você tem um texto, escrito por você mesmo, ou interessante, extraído de algum lugar, envie-nos, citando a fonte. Pode ser até em sentido oposto ao publicado neste Blog, pois o espaço aqui é democrático.
Equipe Caraguablog


O carnaval temporão do PT e a segunda quarta-feira de cinzas dos corruptos

O carnaval temporão do PT, concebido para permitir que os devotos da seita tirassem do baú fantasias usadas nos 80, começou numa quinta-feira com um palavrório de José Dirceu e terminou no domingo, com a divulgação do documento que agrupa as conclusões do congresso do partido realizado em Brasília. De 1° a 4 de setembro, os companheiros puderam reviver os tempos em que o chefe da quadrilha do mensalão podia berrar que “o PT não róba nem dêxa robá” sem se arriscar a ouvir de volta uma vaia de Maracanã em tarde de Fla-Flu.

Merecidamente escalado para abrir os festejos, Dirceu apareceu na TV fantasiado de especialista na recuperação de larápios compulsivos. “O congresso do PT vai reafirmar nossa luta contra a corrupção”, avisou horas antes do início da quermesse dos pecadores sem remorso. Há quase 50 anos colecionando anotações no prontuário, há cinco sentado no banco dos réus do Supremo Tribunal Federal, o guerrilheiro de festim à espera de julgamento por formação de quadrilha e corrupção ativa descobriu que a cura para gatunos juramentados não está no velho Código Penal, mas numa nova lei eleitoral.

“Voto em lista e financiamento público são a bandeira do PT para eliminar o poder econômico, a corrupção, o caixa dois e democratizar o sistema eleitoral”, receitou o doutor em bandalheiras. “A reforma política é um dos principais antídotos contra a corrupção”. No dia seguinte, depois de trocar o paletó sempre curto demais pela guayabera de cubano honorário, Rui Falcão não hesitou em trucidar a verdade e a língua portuguesa para juntar-se a Dirceu na luta em defesa da moral e dos bons costumes.

“Apoiamos incondicionalmente o combate sem tréguas da corrupção”, recitou o presidente do PT para a plateia de quase 2 mil militantes. Todos já sabiam, graças a um documento com as propostas da tendência majoritária, que o partido havia retomado o monopólio da ética, confiscado há seis anos pelo escândalo do mensalão. Como nos velhos tempos, o comando da sigla voltou a decidir, sem fazer consultas nem admitir palpites, quem é ou quem não é corrupto, quem já foi, quem deixou de ser e quem será.

“A oposição, apoiada – ou dirigida – pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar o presidente Lula, apresenta-se agora liderando uma campanha de ‘apoio’ à presidente Dilma, para que esta faça uma ‘faxina’ no governo”, adverte um trecho do documento, que logo adiante acusa os governadores do PSDB de “omissão no combate à corrupção em seus próprios Estados”. No sábado, um orador lembrou que ninguém tem mais ojeriza que Lula a parlamentares picaretas, sejam eles 300 ou 3 mil. No domingo, o documento com as decisões aprovadas na quermesse fechou com tambores e clarins o carnaval fora de hora.

“Mais que um desafio, combater sem tréguas a corrupção é um compromisso inarredável do PT e do nosso governo, que há de ser honrado sem esvaziar a política ou demonizar os partidos, sem transferir acriticamente, para setores da mídia que se erigem em juízes da moralidade cívica, uma responsabilidade que é pública”, alertou a sopa de letras. Tradução: o combate à roubalheira é coisa séria demais para ser tratada pela imprensa ou por partidos de oposição.

Ou por jovens brasileiros inconformados com a ladroagem em escala industrial, emendaram as velhas vestais despudoradas quando o carnaval acabou. Se o falatório dos dias anteriores fosse sincero, os foliões ficariam entusiasmados com o movimento contra a corrupção. Acabaram traídos pela irritação causada pelos atos de protesto programados para o dia 7. Todos enxergaram, por trás do alvo abrangente, uma estrela vermelha. A reação colérica só serviu para confirmar que, aos olhos dos próprios companheiros, PT e corrupção são hoje coisas indissociáveis.

O abraço de afogado foi exposto nas manifestações da quarta-feira. Multiplicados por fotos, inscrições em faixas ou cartazes e palavras de ordem, os nomes e os rostos de um casal de celebridades foram lidos e ouvidos em todas as manifestações. Ela é a deputada Jaqueline Roriz, que aproveitou uma meiga troca de sussurros com Cândido Vaccarezza, líder do governo no Congresso, para agradecer a ajuda do PT e da base alugada no plano montado para livrá-la da cassação e da cadeia. Ele é o inevitável José Dirceu.
Os corruptos que brilharam no carnaval temporão viveram neste Sete de Setembro uma segunda Quarta-Feira de Cinzas.
Augusto Nunes
Veja.com.br
Postado no Blog do Beto

domingo, 11 de setembro de 2011

Políticos exigem royalties de marchas contra corrupção, diz Piauí

Esta deu na Revista Piauí. É evidente que se trata de uma sátira. Mas o seu conteúdo acrescenta muito às discussões pelaí sobre a tal corrupção...

O DNIT anunciou que duplicará todas as vias usadas pelos manifestantes. Segundo o superintendente do órgão, as obras começarão assim que os primeiros cem milhões de reais forem desviados.

ECAD – Em ação coletiva impetrada ontem no STF, políticos brasileiros de vários matizes ideológicos, bem como uma plêiade de assessores parlamentares, parentes e amigos de senadores e ministros, se uniram contra os organizadores das diversas marchas contra a corrupção.

Oscar Jucá Neto, o Jucazinho, irmão do Senador Romero Jucá e um dos impetrantes, explicou à imprensa as razões da ação civil: “Eles estão usando a nossa obra para organizar convescotes festivos. Nós não somos consultados e ficamos a ver navios. Outro dia mesmo os hotéis tiveram de pagar direitos autorais por causa da música ambiente nos quartos. Exigimos o mesmo tratamento. A cada vez que citarem o desvio de verbas no DNIT, por exemplo, achamos justo que algum numerário em moeda forte seja depositado no Principado de Luxemburgo ou nas Ilhas Jersey.”

Jucazinho cita o seu caso como exemplar. Segundo ele, desde jovem vem se esmerando em criar confusão por onde passa. Depois de quebrar o restaurante da família, o irmão do senador – que, como frisa, jamais possuiu qualquer qualificação profissional – foi capaz, às custas de muito esforço, de deixar sua marca entrópica na Infraero, de onde foi demitido; tenaz e sem temer os grandes embates, levou então a sua expertise para a diretoria financeira da Conab, empresa estatal que ainda se recupera do pagamento irregular de R$ 8 milhões a uma empresa de silos de Goiás, autorizado por ele. “Nunca esmoreci, nunca descansei, nunca dei minha obra por acabada”, declarou Jucazinho, com emoção. “E agora vão vender faixas às minhas custas?”, protestou, crispado.

Jader Barbalho, Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Delúbio Soares, Marcos Valério, Silvinho da Land Rover, Fernando Collor, Roseana Sarney, entre outros, prestaram solidariedade a Jucazinho. Em declaração contundente, exigiram o direito de superfaturar cartazes em favor da ética e desviar 30% das verbas destinadas à compra de narizes de palhaço. “Temos de pensar na aposentadoria do ministro Pedro Novais, que já não é um jovenzinho. No turismo, por mais que se trabalhe qualificando empresas fantasmas de treinamento de pessoal, não se faz um grande pé de meia. No máximo, compra-se um conjugado em Miami.”
Revista Piauí.
Postado no Blog do Beto

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A inspiração de Balut

Grande sacada esta do presidente da Câmara de São Sebastião de ouvir a população para decidir sobre o número de vereadores da cidade.

Democracia é isto.

O presidente da Câmara de Vereadores mostra-se um verdadeiro democrata. Coisa rara hoje em nosso meio político, em que só se ouve falar de corrupção e mais corrupção, postergando direitos da população e seus interesses e até participação a planos menores.

Sinal de que nem tudo está perdido e de que ainda há esperanças luminosas no final do túnel, apesar de tudo.

Artur Balut pretende ouvir os eleitores para saber o que eles pensam sobre o número de vereadores ideal para São Sebastião. E vai fazer consultas em todas as regiões da cidade. Todos terão oportunidade de participar, manifestar sua opinião, dar o seu aval.

Claro que a consulta não significa necessariamente aprovação daquilo que for prospectado da vontade popular. Mas, sem dúvida, será uma preciosa contribuição do povo da qual os vereadores não poderão fazer ouvidos de mercador.

A região cresceu, o Brasil cresceu. Já é hora de pôr os eleitores a par de tudo que se passa no mundo político, exigindo sua participação até, para que as decisões emanadas das casas legislativas sejam as mais próximas possível daquilo que é aspiração popular.

O povo que, no frigir dos ovos, paga os salários de seus governantes, tem o direito e o dever de se fazer ouvido numa hora destas, em que uma importante decisão precisa ser tomada e da qual dependerá a sorte da própria cidade.

Afinal, estamos falando de mais despesas para os cofres públicos, mais gabinetes, mais carros, mais telefones, celulares, assessores. Ou seja: de toda uma estrutura que há por trás de cada vereador, tudo custeado pelo Erário.

Muito inspirado o vereador-presidente Artur Balut. Receba os cumprimentos de seus representados e de toda a equipe do Caraguablog.

O caminho por ele trilhado parece ser o mais indicado diante dos ares de liberdade política que estamos vivendo nestes novos tempos.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Antonio Carlos: o prefeito raçudo de Caraguá

O prefeito de Caraguá está convocando a população local e de Ubatuba para realizarem a marcha pela duplicação da rodovia que liga as duas cidades.

A idéia é chamar a atenção do governo para a necessidade de melhorar as condições de trânsito dessa rodovia que praticamente fica “entupida” nas temporadas e feriados prolongados. A duplicação seria a solução viável.

Peitudo o prefeito Antonio Carlos já demonstrou ser há muito tempo. Mas para enfrentar o governador do Estado precisa ser mais que isso. Precisa também ser raçudo.

Ele não estará enfrentando um governador qualquer. Mas um governador do seu próprio partido. E isso pode trazer constrangimentos políticos de grande magnitude e esfriar relações. Tudo o que seus opositores desejam.

É muito bom pensar serenamente a respeito do assunto para não “pagar” o mesmo mico que o ex-prefeito de Caraguá pagou.

Aguilar prometeu ficar à frente de maquinários para impedir a construção do presídio e da fundação Casa. Fez alarde. Mas no final ele próprio doou pianinho as áreas para a construção de tais “excrescências” para Caraguatatuba. Engoliu os próprios arroubos.

Caraguatatuba está contente por ter um prefeito peitudo e sabe que há mecanismos de reivindicação que envolvem apenas gabinetes e articulações pessoais.

Convocar o povo para a marcha... Será que é preciso ser tão raçudo assim?

sábado, 20 de agosto de 2011

Até quando enrolarás, ó Geraldo?

O jornal Imprensa Livre trouxe um importante editorial dia 18 de agosto, assinado pela jornalista Selma de Almeida, acerca dos acertos e dos desacertos que cercam a duplicação da rodovia dos Tamoios. E das promessas insossas e “enchuchuzadas” de nosso governador Geraldo Alckmin. Será mesmo que políticos só sabem prometer?

Um texto que vale a pena ser lido. E depois refletir sobre o assunto.

Tamoios, a “saia justa” do Geraldo

Moradores e políticos do Litoral Norte não aguentam mais um mandato de Alckmin, sem que ele cumpra esta promessa para região

Selma Almeida
A duplicação da rodovia Tamoios e seus contornos no Litoral Norte devem estar deixando o governador Geraldo Alckmin em “saia justa”, como diz o ditado popular. Nesta semana, ouvi o seguinte comentário: “Há anos ouço que esta estrada vai duplicar ou melhorar, creio que Alckmin vai esperar a eleição para angariar votos em uma reeleição em troca desta obra”.

Ledo engano, meu caro leitor, este comentário já ultrapassou esta relação. Tanto moradores como políticos do Litoral Norte não aguentam mais um mandato de Alckmin, sem que ele cumpra esta promessa para região que já está em três gestões com o mesmo discurso. Agora há até reivindicações mais recentes, como hospital regional, por exemplo.

A duplicação da Tamoios é tão antiga e tão pedida entre os políticos da região que não cabe nem mais entre as reivindicações atuais. É ponto pacífico para a população do Litoral Norte. E, cá entre nós, não tem sentido estar planejando somente a duplicação do trecho no planalto sem também e em seguida, fazer o de serra até a chegada ao litoral, o mais perigoso, estreito, esburacado, com neblinas constantes, de todo o trajeto da Tamoios.

Como disse o prefeito de Caraguatatuba, Antonio Carlos da Silva, curiosamente do mesmo partido do governo do Estado, PSDB, é aumentar um funil e deixá-lo do mesmo jeito na ponta. De uma coisa é certa, é o único prefeito do Litoral Norte que tem se empenhado e divulgado ações enérgicas para que a obra saia com todos os contornos juntos. Até um protesto ele já pensa em organizar. Não vejo o mesmo empenho dos demais prefeitos da região.

Mas tem outros políticos que não são necessariamente do Litoral Norte que também tem empregado algum empenho na causa. O deputado estadual Marco Aurélio, por exemplo, participou da audiência pública promovida pelo governo estadual sobre as obras de duplicação da rodovia dos Tamoios (no qual apenas, da nossa região, o prefeito de Ilhabela participou e mesmo assim para ver se o projeto será bem sustentável ao meio ambiente e feito sem pressa, já que o arquipélago não terá impacto nas obras).

Durante este evento, realizado em São José dos Campos, os representantes do Estado informaram que a obra deve começar no segundo trimestre de 2012. “Ou seja, já não é março como o último anúncio feito pelo governador. Falar em segundo trimestre significa que pode ir de 1º de abril a 30 de junho”, disse Marco Aurélio.

A audiência foi conduzida por diretores do DER (Departamento de Estradas e Rodagem) e Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A). Eles informaram que para a duplicação da Tamoios está prevista a instalação de praça de pedágio. “Em dois meses, o Alckmin já anunciou três datas diferentes. Primeiro, disse que a obra começaria em janeiro, depois mudou para março e agora já estão falando em segundo trimestre”, afirmou.

Marco Aurélio lembra ainda que a obra já havia sido prometida por Alckmin em 2002 durante sua campanha para governador, mas mesmo depois de sucessivos governos do PSDB a obra não saiu. “Até agora a única certeza que ficou é que após as obras de duplicação a Tamoios terá pedágio”, disse.

Este é outro ponto complicado e chega até a uma propaganda enganosa. O motorista que iniciar a viagem no Vale do Paraíba, entrará na Tamoios, no trecho de planalto e verá aquela estrada duplicada, linda, depois de pagar o pedágio, a estrada irá se estreitando até ficar uma pista só, com trechos sem acostamento, deparará com caminhões pesadíssimos e enormes e correrá risco de acidentes nas curvas perigosíssimas.

O jeito é caso Alckmin não cumpra a promessa de duplicação em toda extensão da Tamoios e os contornos para as cidades do Litoral Norte, nesta gestão, se quiser angariar votos para uma reeleição, nem pense em vir para região. Acredito que os eleitores devem ter aprendido a não acreditar nestas promessas. Em se tratando de Tamoios, a memória não estará mais curta.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Número de vereadores em Caraguá: compartilhar a decisão é preciso

Com a aprovação da Emenda Constitucional nº 58, em 2009, a composição das Câmaras Municipais de todo o Brasil sofreram alteração. Ou melhor: podem sofrer alteração por lei local, pois a norma constitucional fixou um teto no número de parlamentares municipais, cabendo agora a cada Câmara Municipal definir um número de cadeiras abaixo desse teto.

As Câmaras podem aumentar o número de seus vereadores até o teto, ou um pouco menos, e ainda podem deixar o número como está. Mais vereadores, mais despesas, e não são todos os legislativos do Brasil que estão em condições financeiras para assumir novos gastos, que demandam até alterações estruturais profundas e contratação de novos funcionários.

O teto de Caraguatatuba é de 17 cadeiras. Atualmente a cidade conta com 10 vereadores, conforme disciplinado pelo Tribunal Regional Eleitoral em 2004 e que entrou em vigor na Legislatura de 2005 a 2008 e permanece até hoje.

Caraguatatuba ainda sofreu um revés financeiro. A mesma emenda constitucional diminuiu o repasse de recursos que a prefeitura faz mensalmente ao legislativo municipal. Dois 8% de toda a arrecadação tributária e transferências de governo, agora o repasse é da ordem de apenas 6%, com uma significativa perda 25% de recursos em relação aos anos anteriores.

O cobertor já é curto para os atuais dez vereadores. Elevar esse número para 17, conforme autoriza a lei, significará demissões em lugar de contratações e um retrocesso nos ganhos e acomodações dos próprios vereadores. Não se faz milagre sem dinheiro. Se não tem para gastar, o que pode ser feito? Nada, eis a resposta.

De outro lado, os vereadores ainda podem ter um significativo aumento em seus subsídios. Recentemente, os deputados federais aumentaram estratosfericamente seus ganhos mensais e passaram a perceber mais de 27 mil reais por mês.

Como os deputados estaduais ganham 75% dos federais, os subsídios no âmbito dos estados federativos podem chegar a 22.400 reais. Logo, ganhando 50% de um deputado estadual, o salário dos vereadores pode chegar a 11.200 reais. O orçamento da Câmara, todavia, não permite uma fixação nesse valor.

Porém, se aumentarem o número de vereadores, os gastos acompanharão na mesma proporção e aí não sobrará dinheiro para o pagamento dos próprios subsídios. A questão é: aumenta o número de vereadores, diminuem os subsídios e aumentam as demissões.

A decisão não parece fácil, pois há pressões populares em ambos os sentidos. Tanto para os que desejam que aumente o número de vereadores – normalmente pessoas interessadas em se candidatar e assim querem melhorar suas chances de sucesso – tanto para os que preferem que o número de vereadores fique como está, visando à economia para os cofres públicos.

Para os vereadores atuais, a situação se equipara a uma sinuca de bico. Se a tacada não for certeira, perde-se a jogada e a partida. O risco de agradar ou desagradar é grande em qualquer circunstância. Parece mesmo que o orçamento da Câmara é o grande diferencial que pesará na escolha da opção menos onerosa, em termos financeiros e políticos.

Ao que se vê, não resta outro caminho senão compartilhar essa decisão com a população. Pelo menos duas audiências públicas trariam subsídios e o aval popular que os vereadores necessitam nesta hora em que a decisão precisa ser a mais acertada possível. Ou, ao menos, a que melhor se afine com a opinião popular.

Audiências públicas para discutir o número de vereadores... Por que não?

domingo, 14 de agosto de 2011

Caraguablog comemora 50 mil visitas

Chegamos hoje a 50.000 acessos em nossas páginas.

São pessoas do mundo inteiro interligadas a nós do Litoral Norte através dessa maravilha que é a internet.

Mostramos aqui Caraguatatuba e a região, suas belezas, montanhas, praias, cachoeiras, trilhas. Enfim, estamos na Serra do Mar, um dos pontos mais preservados da natureza do Brasil e do planeta.

Nove meses se passaram desde nossa estreia em dezembro de 2010. Nascemos robusto, cheio de ideias para lançar ao mundo, mostrando a pujança do Litoral Norte do Estado de São Paulo, Brasil, em especial desta cidade de Caraguatatuba.

O Litoral Norte é um só, quer se fale de Caraguá, Ubatuba, São Sebastião ou Ilhabela. Vivemos do mar, dependemos do sol, de nossas belas praias. Por isso nossos problemas também são comuns.

Não temos as estradas de acesso que desejamos, nem a estrutura de saúde que gostaríamos de ter. A Mata Atlântica, tão em moda atualmente em círculos de “ambientalistas”, não tem a preservação de que tanto necessita para ser o patrimônio também de gerações vindouras.

A luta para encontrar soluções viáveis igualmente é comum. Neste particular, o Caraguablog se insere como instrumento de preservação, divulgação da informação e da crítica, quando esta se faz necessária e oportuna.

O Caraguablog, por isso, sente-se honrado em comemorar os seus 50 mil acessos. Porém a marca atingida deve ser creditada, antes, aos nossos leitores. Sem a sua participação efetiva, acompanhando-nos no dia a dia, a cada momento, a cada matéria postada, nada disso teríamos conseguido.

Procuramos manter a linha da independência em relação às forças que movem a sociedade, em respeito a nossos leitores e principalmente a nós mesmos. Nada se constrói com a subserviência, nem com a meia-informação ou com a meia-verdade.

A luta continua, rumo aos 100 mil, 500 mil, um milhão de acessos. Para isso contamos com a indispensável presença e contribuição dos Leitores.

Afinal, o blog pertence a todos. Está aberto a comentários, sugestões, críticas. Principalmente ao envio de matérias e fotos, para que essa interação blog/Leitor se efetive em prol da consecução do bem-comum.

Contamos com sua participação...

Caraguablog

domingo, 7 de agosto de 2011

É preciso mudar a lei orgânica de Caraguá

O pedido de adiamento de prestação de contas feito pelo prefeito Antonio Carlos nesta semana à Câmara Municipal revela o quanto a Lei Orgânica de Caraguatatuba está superada e põe à mostra a falta de iniciativa para torná-la compatível com a realidade de nossos dias.

Teve razão o prefeito em pedir, através de ofício, licença à Câmara de vereadores para ser sabatinado sobre sua administração em oportunidade futura. É assim que tem acontecido.

Compromissos da maior envergadura exigiram a presença do chefe do Poder Executivo numa importante reunião, em que os interesses do município estavam em jogo e não podiam ser olvidados.

Era a audiência pública na mesma data promovida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, o Ibama, para discutir o estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ao meio ambiente (EIA-Rima) e os licenciamentos previstos para os municípios que sofrerão influência com os impactos do pré-sal, em que Caraguatatuba se insere.

Politicamente, muito justificada a ausência na Câmara Municipal. Mas não legal e juridicamente, conforme se verá mais adiante.

Antonio Carlos informou da impossibilidade também de seu comparecimento na terça-feira seguinte, 09 de agosto, porque nessa data igualmente outro grande compromisso estará em pauta exigindo a sua presença.

Desta feita é a realização da audiência pública em que se discutirá o plano diretor da cidade que impede a presença do prefeito, que somente estará disponível no dia 16 de agosto, uma terça-feira, para prestar contas de sua administração aos representantes do povo.

Ao que se vê, o prefeito não procurou fugir às suas responsabilidades. Antes, quis compatibilizá-las e para isso foi preciso pedir licença aos vereadores e adiamento de sua obrigação perante a Casa Legislativa.

É neste ponto que o “bicho pega”.

A lei orgânica de Caraguatatuba, em seu artigo 49, inciso VII, alínea “b”, diz textualmente que o prefeito comparecerá à Câmara de vereadores “no segundo e terceiro ano de mandato, na primeira sessão ordinária de fevereiro e na primeira sessão após o recesso de julho, para prestar contas e esclarecimentos sobre a administração do Município”.

Não abre qualquer exceção ou a possibilidade de adiamento do compromisso do chefe do Executivo nesse dia. É lei. E lei, gostem ou não, é para ser cumprida. Dura Lex, sed Lex – a lei é dura, mas é a lei...

Portanto, a negativa do prefeito consubstanciada no ofício por ele enviado à Câmara, escusando-se pela ausência no dia de sua prestação de contas, revela-se como uma atitude ilegal. E a falta de cumprimento de lei tem sanção: a perda do mandato político.

É o que diz o temido Decreto-Lei nº 201/67, que regula a cassação de mandatos de prefeitos e vereadores, em seu artigo 1º.

Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, de acordo com o 201, sujeita o responsável à perda do mandato pelo Poder Judiciário, detenção de três meses a três anos e inabilitação para o exercício de função pública pelo prazo de cinco anos.

Como se vê, a penalidade é grave e não pode ser tratado o descumprimento de lei municipal, como o caso sugere, como algo de somenos importância, bastando uma simples troca de ofícios entre poderes. Os vereadores acatam e tudo ficam bem.

Não se brinca com a lei, ainda mais que a ação, neste caso, é de ordem pública, bastando que qualquer cidadão provoque a manifestação do judiciário para o processo iniciar. E o que não falta por estas bandas é gente querendo achar pêlo em ovo.

Mais que bom-senso e prudência, o dever a todos imposto de cumprir as leis soa como imperativo. Ninguém possui a faculdade de cumprir ou não a lei, segundo seu entendimento, ao seu talante. Afinal, todos são iguais perante ela.

Seria razoável que o prefeito cumprisse o seu dever e comparecesse à Câmara de vereadores para prestar contas de seu mandato. E uma vez detectada a falha legislativa, entrasse imediatamente com uma emenda para corrigir essa situação conflitante, evitando problemas de agenda no futuro, mas não agora.

Afinal, o prefeito tem o poder de iniciar o processo para emendar a Lei Orgânica Municipal. Foi-lhe dada essa competência e ele deve usá-la sempre que for preciso aprimorar o relacionamento entre poderes e compatibilizar a legislação com as necessidades encontradas ao longo do mandato.

Politicamente, os vereadores também tiveram razão em autorizar a ausência do prefeito. Era de alta relevância a sua presença em outro lugar. Juridicamente, todavia, entraram na mesma barca furada em que o chefe do Executivo pôs os seus pés.

Simplesmente descumprir a lei parece atitude desprovida de razoabilidade. Neste caso, tanto o prefeito como os vereadores colocaram-se em situação de vulnerabilidade.

Todos eles concorreram para que as disposições da Lei Orgânica de Caraguatatuba fossem violados, transformando-os em letras mortas.

Certa feita, inconformado com agressões à lei fundamental do município, o ex-vereador Jardel Moreira fez picadinho de um exemplar da Lei Orgânica e atirou seus despojos no cesto de lixo.

Não parece ser a melhor solução. Emendá-la, sim. Descumpri-la, jamais...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Para refletir...

Antes de a prefeitura efetivar a posse dos novos servidores públicos aprovados no último concurso, o município possuía cerca de 1800 servidores efetivos em seu quadro. Um número até acanhado se compararmos com outras cidades de mesmo porte. Mas este não é o foco.

A curiosidade é que a média mensal de atestados médicos apresentados pelos servidores gira em torno de 600! Isto é, num único mês, pelo menos 600 faltas são registradas. Isto, se considerarmos que os atestados médicos são de único dia. Mas há os que “abonam” muitos dias mais...

Em apenas um mês, um terço dos funcionários dá o cano no serviço ao menos uma vez – eis a conclusão. E não perdem um centavo por isso, porque há médicos – os irresponsáveis, evidentemente – que acham bonito atirar dinheiro público na lata do lixo. Resta saber se “abonariam” com tanta solicitude as faltas de suas próprias secretárias...

Outra curiosidade é que 90% das faltas estão na Secretaria de Educação e se trata de professoras o grosso das faltosas, que sempre encontrariam razões domésticas para matar o dia, com a complacência e conivência de médicos desprovidos de o mínimo de senso de responsabilidade.

Ô, professoraiada! Assim não dá...

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dito & Feito - Justiça? Que justiça?

"A justiça às vezes neste país dá sinal de vida"
Rôni, o amigo gay de Nataly (a quem ela chama de "bicha"), comentando a prisão do banqueiro Cortês, em Insensato Coração, novela das nove horas da Globo, capítulo de ontem, 14 de julho de 2011.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desaforados...

Presidente da Câmara de Ilhabela descumpre Regimento Interno, suspende sessão e conduz cidadão que protestou à polícia

De há muito a Câmara Municipal de Ilhabela vem dando péssimos exemplos aos seus representados. Desta feita, ousou mais e chegou às raias do absurdo. Num ato de supremo desrespeito, bateu a porta na cara dos seus concidadãos.

O presidente da Câmara suspendeu os trabalhos da última sessão antes do recesso legislativo alegando “falta de segurança” e ainda conduziu um cidadão à polícia para registro de boletim de ocorrência. Motivo: o cidadão teria protestado contra a falta de respeito ao próprio Regimento Interno da Câmara e às pessoas presentes aos trabalhos que se desenvolviam em plenário.

A justa bronca do cidadão aconteceu porque as “excelências” fizeram um intervalo de cerca de uma hora, de acordo com o jornal Imprensa Livre, quando o Regimento da Casa registra que esse mesmo intervalo é, no máximo, de dez minutos. O protesto, portanto, foi legítimo.


As excelências se reuniram para tagarelar nos bastidores, longe da vista e vigilância dos cidadãos que prestigiavam os trabalhos, dando a mínima para as disposições regimentais. De que tratavam? Nem as paredes saberiam dizer. Segredo absoluto, como sói acontecer nos apodrecidos subterrâneos da política dos tempos atuais. Mas dá para desconfiar...

O povo ficou aguardando na assistência pelo retorno das nobres excelências, que não voltavam nunca. Ficaram feitos idiotas, esperando, esperando, esperando... Até que deu nos nervos e alguém elevou a voz. Pronto! Polícia nele, fazendo relembrar os malditos tempos da ditadura, já banida deste país, mas ainda não totalmente explicada nos seus detalhes.

O intervalo é de apenas dez minutos e os vereadores abandonaram o plenário por uma hora! Veja o que diz o artigo 107, parágrafo único, do Regimento Interno da Câmara Municipal de Ilhabela: “Parágrafo único – Entre o final do expediente e o início da ordem do dia haverá um intervalo de dez minutos.”

Os vereadores sumiram por uma hora e ainda queriam ter razão, sentindo-se “no direito” de levar à polícia, num ato de violência e intimidação, aquele que protestasse. Extrema cara-de-pau, desrespeito máximo às normas que regem a própria Casa.

Reza a lenda que o presidente “suspendeu” os trabalhos depois de acontecido o tumulto que eles mesmos provocaram. Na verdade, a sessão não poderia mesmo continuar, pela explícita ofensa ao seu regimento. Seria uma sessão ilegal.

Sem ter obedecido ao intervalo regimental de dez minutos, a sessão é considerada prejudicada e todos os vereadores –todos mesmo, sem exceção– levam falta. Isto, se a seriedade fosse a tônica da conduta e a responsabilidade fosse algo presente.

Tivesse a Câmara de Ilhabela um presidente de verdade, destes que se pautam pela legalidade, ao final dos dez minutos de intervalo ele abriria a sessão, aguardaria mais quinze minutos e faria a chamada nominal. Se não houvesse o quórum da maioria absoluta, ele declararia encerrada a sessão e daria falta para todos ausentes. Simples, assim.

Pelo menos é o que diz o parágrafo quarto do mesmo artigo 107 do Regimento Interno: “§ 4º - Persistindo a falta da maioria absoluta dos vereadores na fase da ordem do dia, e observado o prazo de tolerância de quinze minutos, o presidente declarará encerrada a sessão, lavrando-se ata do ocorrido, que independerá de aprovação.”

O Regimento é claro e dá a resposta para qualquer ocorrência. O que falta, ao que tudo sugere, é um presidente compromissado para dar-lhe cumprimento. Piada ou não, o próprio presidente e demais vereadores, no ato da posse, fizeram o juramento de “respeitar” o Regimento, as Leis, a Lei Orgânica Municipal de Ilhabela e a Constituição. Isto é, mentiram, juraram em falso. Prometeram solenemente e não cumpriram.

Ainda que o presidente tivesse agido conforme determina o Regimento, dando falta aos vereadores ausentes, estes ainda poderiam “abonar” a ausência no fim do mês – e não no dia seguinte ao da falta, conforme fazem os servidores públicos. E receber os subsídios completinhos, como se trabalhado tivessem.

O Regimento Interno, ao trazer esta excrescência, a de permitir “abonos”, lança por terra as disposições do Decreto-Lei nº 201/69 –aquele que regula a cassação do mandato de prefeitos e vereadores–, que determina que o vereador perde o mandato ao faltar à terça parte das sessões ordinárias programadas para o ano. Uma graça, não?

O caso foi grave e deveria ter dado polícia sim. Mas o registro policial deveria ter sido feito contra o presidente da Câmara, por descumprimento do Regimento Interno do Poder Legislativo de Ilhabela, tendo como co-autores todos os demais vereadores da cidade. E, a partir daí, iniciar o processo de destituição do cargo ou até de cassação de mandatos. O ineficiente, o faltoso, o omisso não pode conduzir os destinos de um Poder nem dele fazer parte.

Em síntese: para que a Câmara de Ilhabela seja uma Câmara de verdade, faltam-lhe vereadores de verdade, falta presidente de verdade. Falta-lhe legalidade. Respeito às próprias normas internas. Nem de longe os cidadãos ilhabelenses merecem a Câmara que possuem.

Desaforados, é o que são...

Obs – O caraguablog recebeu este texto por e-mail de uma pessoa de Ilhabela que pediu para não ser identificada, temendo represálias. Certamente, deve conhecer Câmara em detalhes e saber o mato em que está lenhando...

Para que o leitor possa ter uma idéia, transcrevemos abaixo a forma como a Câmara de Ilhabela registrou o tumulto. Assim está em seu site:


Sessão Ordinária da Câmara de Ilhabela é suspensa devido tumulto no Plenário 
Os trabalhos serão retomados do ponto que foi interrompida, nesta quinta-feira, 30, às 10 horas
Na noite desta terça-feira, 28, a Câmara Municipal de Ilhabela, realizou “parte” da sessão ordinária, que seria a última antes do recesso parlamentar, com a presença de todos os vereadores. Os trabalhos iniciaram normalmente com a leitura do expediente, apresentações de matérias, uso da primeira tribuna e intervalo antes da votação da ordem do dia.
Após a volta, dos vereadores, do intervalo que se estendeu um pouco mais do que normal, devida a discussão de pauta da possível sessão extraordinária, que aconteceria após o termino da ordinária, a população reclamou da demora. O presidente da Casa, vereador Carlos Alberto de Oliveira Pinto (Carlinhos-PMDB), explicou os motivos e relatou que os vereadores estavam debatendo sobre a pauta para não trazer a discussão para o plenário. 
Com a justificativa, o público ficou em silêncio, menos um cidadão, que iniciou tumulto. O presidente Carlinhos repreendeu o autor da desordem que não atendeu a determinação. Assim, Carlinhos interrompeu a sessão, chamando a Policia Militar para que mantivesses a ordem no local. Tendo em vista o decorrer do tempo e chegada dos policiais, os vereadores decidiram por suspender a sessão e retomá-la na próxima quinta-feira, 30, às 10 horas. 
Em seguida, o presidente, juntamente com os Policiais Militares, se dirigiu a Delegacia de Policia para lavrar boletim de ocorrência, contra o cidadão que causou a confusão, sob a natureza de desacato, desobediência e por atrapalhar as atividades legislativas. 
Antes da suspensão dos trabalhos, os vereadores apresentaram cinco Projetos de Lei, duas Emendas, 10 requerimentos e 13 indicações. No entanto, vereadores pediram discussão de oito dos requerimentos apresentados pelos pares Carlinhos, Roberto de Lourdes do Nascimento (Timbada-PDT) e Erick Pinna (PR). As matérias serão discutidas para aprovação ou não, na retomada dos trabalhos.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dito & Feito - Homossexualismo e preconceito

Fala-se tanto em direitos iguais e em liberdade de expressão, mas na prática o que tenta-se é tirar o direito de ter opinião e de pensar diferente. A palavra de ordem é "não comungar com o homossexualismo é preconceito". Mas, afinal, o que é mesmo preconceito?

Gilson Tavares, comentando ontem no Caraguablog a matéria "Myrian Rios dispara: 'Eu tenho direito de não querer um homossexual como meu empregado'"

domingo, 3 de julho de 2011

O caos na entrada de Caraguá

Aqui havia um ponto de ônibus. Agora, só lama, detritos e água.
As obras que o governo do Estado realiza no trevo de entrada da cidade estão trazendo um grande transtorno à população de Caraguatatuba, especialmente a pedestres e usuários de ônibus urbanos.

Parece que o furacão Katrina passou por lá. Tudo desarrumado, aparentemente destruído, destroços, e o pedestre é que pena ao passar por ali. E o pior é que não há como desviar: a passagem é obrigatória.

Barro no lugar do ponto de ônibus.
O ponto de ônibus que por décadas existia no local foi retirado e agora as pessoas –que não são poucas– aguardam o busão ao relento, sob as intempéries, suportando no lombo os rigores do sol quente e das chuvas, num descaso poucas vezes visto em nossa pacata e obreira cidade.

A irresponsabilidade é tanta que tudo aparenta abandono. Parece que não houve planejamento, uma estratégia, um cronograma de trabalho, e que a coisa está sendo feita meio de qualquer jeito.

Como ilhas rodeadas de água,
pessoas aguardam o ônibus.

Sabendo do incômodo que iria provocar naquele principal entroncamento da malha viária municipal –que distribui o trânsito para São Sebastião, Caraguá e Ubatuba–, era de se esperar que tudo fosse feito com a maior brevidade possível, seguindo rígido esquema cronológico.

Mas, não.

O resultado disso é que a lambança lá está, à vista de quantos se obrigam a passar pelo local.

A piscina formada no asfalto
Houve um grande vazamento e a água se encontra empoçada, parecendo uma enorme piscina barrenta e suja. Não se vêem funcionários trabalhando, não se tem nenhuma previsão de quando aquilo tudo irá ter um fim. No dia de São-Nunca, talvez.

Ciclistas precisam contornar os postes que encontram em sua passagem. Bem no trevo, além de desviar das tranqueiras espalhadas, dos postes, cercas, e da água empoçada, que toma parte do leito carroçável, os pedestres e ciclistas precisam transitar pelo asfalto. Evidentemente, fazem isso com risco da própria vida.

Conforme o movimento de veículos, alguns são forçados a passar por sobre a água. Aí é banho em todo mundo, pedestres, pessoas que aguardam o ônibus, ciclistas e até mesmo outros motoristas com o vidro aberto.

Dá para resumir em única palavra aquilo tudo que por lá ocorre, denotando falta de autoridade e excesso de irresponsabilidade: caos.

E o povo que se exploda...


Lama e entulho e ninguém trabalhando

Água no asfalto: banho em ciclistas e pedestres

Pobre povo: como anfíbios
à espera do circular...