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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

História de Ilhabela é tema de curso voltado ao turismo

"Arqueologia e História: os novos potenciais turísticos de Ilhabela" foi o tema de um curso gratuito promovido pela Prefeitura de Ilhabela, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundaci (Fundação Arte e Cultura de Ilhabela), durante esta semana, na sede da Secretaria de Turismo, na Barra Velha.
O curso foi ministrado pela arqueóloga Cintia Bendazzoli que coordena o Projeto de Gestão e Diagnóstico do Patrimônio Arqueológico, pelo Instituto Histórico, Geográfico e Arqueológico de Ilhabela.
Cerca de 50 pessoas participaram do curso e grande parte da turma é formada por profissionais de turismo, educadores e agentes ambientais, inclusive de São Sebastião e São José dos Campos.
Caraguablog/JFPr

Turismo histórico – Ilhabela tem história e muitos dos turistas se interessam pelo tema por isso as aulas voltadas ao turismo poderão se refletir na próxima temporada, já que os profissionais do setor se propuseram a realizar um atendimento ao turista com esta abordagem.

Segundo o prefeito Toninho Colucci (PPS), esta é a terceira edição do curso e com eles todos saem ganhando porque são capacitações que refletem na qualidade do atendimento ao turista: “A temporada de verão vai começar com uma cara nova na medida em que os profissionais que estão sendo capacitados aplicarão as abordagens aprendidas no curso em suas atividades turísticas”, destacou Colucci.

A arqueóloga Cintia informou que será realizado um curso inédito programado para novembro sobre o panorama da ocupação indígena no Litoral Norte a ser ministrado em duas noites. O prazo de inscrições para o novo curso será divulgada em breve pela Prefeitura de Ilhabela.
PM de Ilhabela/ foto Ana Gabriela Fernandes
Caraguablog/JFPr

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

História de Caraguá: Carta de Boneca revela detalhes da cassação de Bourabeby

Boneca, o mentor da cassação de Bourabeby
Uma carta elaborada por Geraldo Nogueira da Silva, o Boneca, em 8 de junho 1990, mostra detalhes de como foi o episódio político de maior relevância das últimas décadas na história de Caraguatatuba: a cassação do então prefeito José Bourabeby

A carta foi endereçada a um jornal do Vale do Paraíba, que na época tinha abordado a questão com algumas incoerências. Boneca quis dar a sua versão sobre o sucedido naquela ocasião e assim desfazer equívocos. Ele próprio chamou a carta de “depoimento do Boneca”.

Dúlio Peixoto apresentou a denúncia
Boneca foi o mentor e presidente da comissão processante que redundou na cassação de José Bourabeby, ocorrida em 1990. Na época, o então presidente da Câmara Dúlio Peixoto apresentou a denúncia de cassação e foi substituído durante o processo pelo suplente e veterinário Washington.

Bourabeby foi cassado em uma sessão cansativa, que durou quase vinte horas de trabalho contínuo. Dentre as denúncias, estavam a de permitir o depósito na cidade do lixo proveniente de outras cidades e tentar impedir o normal funcionamento da Câmara Municipal ao querer detalhes sobre as despesas do Legislativo.

Nos bastidores da Câmara Municipal, todavia, os comentários eram outros: o prefeito estava sendo cassado por querer restringir o envio de dinheiro para a Câmara Municipal, os chamados duodécimos, e também por dizer em lugares públicos que “batia no cocho e os vereadores vinham comer na sua mão”.

Bourabeby: cassado
Bourabeby foi cassado com a utilização do Decreto-lei 201, de 1967, que regula a cassação do mandato de prefeitos e vereadores. Na época, com a recém-promulgada Constituição Federal, havia dúvidas se o decreto houvera ou sido recepcionado pela nova ordem constitucional. Portanto, se valia ou não passa cassar mandato.

O renovado jurista Geraldo Ataliba defendeu Bourabeby, mas a cassação foi finalmente confirmada pelo Tribunal de Justiça, que não viu erros processuais que pudessem pôr abaixo o trabalho feito pelos vereadores. Na verdade, o grande vitorioso foi Boneca, que conduziu pessoalmente todo o processo.

José Dias Paez Lima, o vice, foi empossado como prefeito da cidade em 17 de março de 1992 e completou o mandato, encerrando sua gestão em 31 de dezembro de 1992. A posse foi dada pelo presidente da Câmara José Pereira de Aguilar, que sucedera a Tiago Santana, cujo mandado de presidente da Câmara houvera sido extinto pela justiça local.

A Câmara Municipal, na época, era composta pelos vereadores Aureliano Gonçalves Pereira, Almir José Alves, Calixto Leandro, Dúlio Peixoto (presidente em 1989/1990), Donizete Prado de Freitas, Geraldo Nogueira da Silva (renunciou em 1º/10/91 e foi substituído por Álvaro Alencar Trindade), Gomercindo Nicolau dos Santos, Ilson Vitório de Souza, João Rodrigues de Godoy Filho, José Pereira de Aguilar (presidente em 1992), Jardel Moreira, Lúcio Fernandes, Sebastião de Oliveira, Sebastião Oliveira de Souza, Tiago Santana (presidente em 1991 – teve o mandato de presidente de 1992 extinto pelo Judiciário), Wilson Rangel e Valmir de Moraes.
José Dias, vice que virou prefeito

Foi considerada uma das Câmaras mais produtivas que Caraguatatuba já teve. Elaborou a Constituição Municipal dentro dos prazos legais (a Lei Orgânica Municipal), elaborou o regimento interno da Câmara, que vigora até hoje, e cassou o mandato do prefeito, assegurando a independência do Legislativo em relação ao Executivo, algo histórico.

Curiosa e jocosamente, era chamada “escolinha do professor Raymundo”, numa alusão ao programa humorístico de TV na época, por ter pessoas simples na sua composição, como caiçaras natos, pescadores e motorista. Evidentemente, uma injustiça.

Depois da cassação, como a demonstrar sua versatilidade como político, Boneca tornou-se líder do prefeito Bourabeby na Câmara Municipal. Bourabeby continuava no comando do município por força de medida judicial (liminar). Boneca renunciou ao mandato de vereador de Caraguatatuba em 1º de outubro de 1991 para poder sair candidato a vereador em Caçapava, onde tinha residência.

Boneca também foi vereador em Caçapava
Não se elegeu nas eleições de 1992, mas saiu vitorioso nas eleições de 1996, tendo tomado posse como vereador em Caçapava em 1º de janeiro de 1997 para um mandato que terminaria em 31 de dezembro 2000. Depois de algumas rusgas com o Chefe do Executivo, acabou sendo nomeado líder do prefeito Paulo Roberto Roitberg, do Partido dos Trabalhadores, naquela Câmara Municipal.

Boneca, contudo, não concluiu o mandato: faleceu no exercício da vereança no dia 18 de janeiro de 1998. Foi enterrado em Caçapava com honras de Caraguatatuba: a banda municipal Carlos Gomes, desta cidade, tocou no seu enterro, a que compareceu uma grande multidão. Boneca era natural de Queluz, no Vale do Paraíba, onde nascera em 16 de dezembro de 1929.

Eis a íntegra do Depoimento do Boneca:

"Caçapava, 08 de junho de 1990.

Senhor Redator:

GERALDO NOGUEIRA DA SILVA (BONECA), 60 anos de idade, RG 3.984.656, decidiu arriscar-se a enviar-lhe esta carta, cujo documento chamarei de DEPOIMENTO DO BONECA, a respeito da “briga” entre o Poder Legislativo de Caraguatatuba e o Prefeito José Bourabeby, cujo último “round” ocorreu dia 06 último, com a decisão do MM. Dr. Juiz de Direito da nossa Comarca, Dr. Silvio Luiz Martins de Mendonça. Mas, claro, há outros “rounds” judiciais a ocorrerem.
Busto de Boneca, na av. da praia,
que recebeu o seu nome, no Indaiá
Estou escrevendo a Vossa Senhoria com dificuldades, uma vez que me encontro NA CAMA, recuperando-me de uma operação cirúrgica a que tive de submeter-me no último dia 02. Por essa razão, desde já peço desculpas por não enviar carta datilografada, bem como por eventuais erros ou falhas na redação da mesma.

Confesso que não sei se Vossa Senhoria vai autorizar a publicação na íntegra desta missiva. Mas se o fizer peço-lhe, por obséquio, não colocá-la como “Carta do Leitor”, e realmente publicar a ÍNTEGRA. E se o peço é porque vou tentar, do alto dos meus 32 ANOS de vida pública, onde fui Prefeito de Caraguatatuba, fui Vereador e sou novamente Vereador, onde assessorei, em São Paulo, Secretários de Estado, Deputados Estaduais e Federais, tendo ocupado vários cargos de confiança em diferentes governos estaduais, repito, vou tentar dar meu conselho aos SRS. PREFEITOS que desta tomarem conhecimento, que BUSQUEM RESPEITAR E CONVIVER BEM COM O PODER LEGISLATIVO DE SEUS MUNICIPIOS; POIS O EPISÓDIO DE CARAGUATATUBA AINDA NÃO SE ENCERROU (ESTÁ EM FASE PRELIMINAR) E DELE TODOS DEVEM TIRAR LIÇÕES DE VIDA PÚBLICA E DE CIVISMO! Senão, vejamos, rapidamente:

1 - Houve uma denúncia contra o Prefeito Bourabeby;

2 - A Câmara Municipal aceitou a denúncia;

3 - Estabeleceu-se uma Comissão Processante, da qual este criado foi PRESIDENTE;

4 - Esta Comissão, composta por mim e pelos Vereadores Wilson Rangel e João Rodrigues de G. Filho, cumpriu seu dever, dedicou-se integralmente ao problema, deu ampla e legítima liberdade de defesa ao denunciado, ouviu testemunhas da defesa, ouviu testemunhas convidadas para melhor clarear o processo e concluiu, SEM POLITICAGEM, MAS À LUZ DOS FATOS, ACEITAR A DENÚNCIA.

5 - Submetida à apreciação do Douto Poder Legislativo, este, por 12x5 votos, optou pela cassação do mandato do Prefeito Bourabeby;

6 - O denunciado impetrou mandado de segurança e ganhou a liminar (o que já era esperado em casos como esse);

7 - A Câmara Municipal pelo seu Presidente recorreu;

8 - O Ministério Público, APÓS REQUISITAR O PROCESSO ORIGINAL, opinou pela CASSAÇÃO DA LIMINAR CONCEDIDA, não sem antes ter considerado o processo conduzido, digo, corretamente conduzido pela Comissão Processante, o que de certa forma nos deixou orgulhosos, uma vez que somos leigos em assuntos dessa natureza, não considerando, pois, válidos nenhum dos argumentos levantados pelo ilustre jurista Dr. Geraldo Ataliba, advogado do Dr. Bourabeby. Inclusive a Douta Promotoria Pública opinou sobre o Decreto Lei Federal, nº 201/67, como LEGITIMO E EM VIGOR;

9 - Finalmente vem o MM. Dr. Juiz de Direito da Câmara, Dr. Silvio Luiz Martins Mendonça, simplesmente manter a liminar anteriormente concedida, amparado no artigo 29, inciso 8º, da Constituição Brasileira.

Diz-e que decisão do Judiciário não se discute, CUMPRE-SE. É claro, a Câmara Municipal de Caraguatatuba haverá, estou certo, de cumpri-la, sem fugir ao seu legítimo dever de recorrer. Aliás, o próprio juiz já recorre de plano. Mas é exatamente sobre o Dec. Lei 201/67, único fato em que o Douto Juiz amparou-se para manter a liminar em favor do Dr. José Bourabeby, que desejo opinar e arvorar-me em DAR UM CONSELHO AOS SRS. PREFEITOS MUNICIPAIS. E afirmo, porque: 

A - O mundo jurídico se divide sobre a validade ou não do Dec. Lei 201/67. Já ouvi, pessoalmente, de vários juristas de renome, que ele está em PLENO VIGOR;

B - Enquanto o MM. Juiz de Direito de minha cidade, Caraguatatuba, afirma que “a Câmara perdeu suas atribuições para julgar os atos do Prefeito Municipal”, o Exmo. Sr. Dr. Promotor Público da mesma Comarca pensa diferente. Portanto, a dúvida da validade ou não do referido Decreto já permanece, existe e vigora na chamada BASE JUDICIAL.

E em sendo matéria polêmica, vamos aguardar o que os Tribunais superiores vão falar, para então criar-se uma jurisprudência de fato e de direito a respeito de tão polêmico assunto. No mínimo a Câmara Municipal de Caraguatatuba está dando uma contribuição valiosa à justiça brasileira, na medida em que, estabelecida a jurisprudência, todos os Poderes Legislativos terão uma bússola de orientação para exercerem seu mandato como fiscais da coisa pública.

Mas até lá eu fico com meu ponto de vista, que é o seguinte. Claro, com minha ótica de leigo, porém, sem perder de vista a longa experiência na vida pública:

1 - Entendo que o Dec. Lei 201/67 está em pleno vigor;

2 - Não entendo, SMJ, que a Constituição Federal e, posteriormente a Estadual, em nenhum momento desejaram diminuir, retirar, o poder de fiscalização dos legislativos.

Pelo menos no que diz respeito às infrações político-administrativas. A isso ter acontecido, sem dúvida, os VEREADORES DO BRASIL VOLTARAM A SER OFFICE-BOYS DE LUXO. Incluam-se aí os Deputados Estaduais, Federais e Senadores. E isso agravado com a imprescindível pergunta: DE QUE ADIANTOU O DIREITO DE OS MUNICÍPIOS FAZEREM SUAS LEIS ORGÂNICAS? Como exigir que os Prefeitos as cumpra? Na Justiça?

Vejamos:

A - A ninguém é dado desconhecer a DEMORA DA JUSTIÇA NO BRASIL, O QUE, POR SI SÓ, JÁ É UMA INJUSTIÇA.

B - Quem tem experiência de vida pública, e em não abro mão da experiência que tenho, sabe que um Prefeito, seja quem for, uma vez denunciado na justiça e a denúncia aceita, ele, Prefeito, tem muitos remédios jurídicos para continuar o processo por longo e longo tempo. Adia muitas audiências, apenas com um ofício de que “naquele dia e hora tem compromisso em São Paulo, Brasília , etc., para tratar de RELEVANTES INTERESSES DO MUNICÍPIO”.

E com isso ele conclui seu mandato sem complicações. E, aí, só então, vai conversar com a justiça, apenas como cidadão. Mas, claro, o fato gerador da denúncia e do processo já ESVAZIOU-SE, e o interesse público já era. E isso se aplica para infrações ou crimes políticos. E em sendo isso um fato que a experiência de vida pública nos ensinou, pergunto: ONDE FICA O PAPEL FISCALIZADOR DOS LEGISLATIVOS? Será que vamos voltar a apenas sentar e levantar para aprovar ou não projetos do Executivo? Acrescido do arroz com feijão de dar nomes à ruas, apresentar indicações e requerimentos?

NÃO! Basta ver-se o grito de independência que o Congresso Nacional e o Poder Judiciário já estão dando em face de algumas medidas do Governo Federal. Os Três Poderes existem, precisam existir, livres e harmônicos entre si, especialmente um respeitando o outro.

E por tudo isso, embora vergado de respeito à alta decisão do MM. Juiz da Comarca de minha cidade, estou convencido de que o Tribunal de São Paulo modificará sua respeitável decisão. É questão de um pouco de paciência.

Senhor Redator, continuo não sabendo se o Sr. vai mandar publicar na íntegra esta carta que escrevo, deitado e mal acomodado. Mas não queria que a oportunidade se perdesse no tempo. E aconselho aos Srs. Prefeitos, especialmente ao de Cachoeira Paulista, que não COPIEM o Dr. José Bourabeby, no seu aspecto DITATORIAL.

Nada tenho contra a pessoa do Dr. Bourabeby. Acho até que é um líder político e que conquistou seu espaço em Caraguatatuba por saber conduzir essa liderança política. Mas, daí até a não respeitar o Poder Legislativo, vai uma distância muito grande. Afinal, um Prefeito não precisa necessariamente matar, roubar, etc., para ser cassado pelo Legislativo. Desrespeitar leis também é crime.

Encerro afirmando que Caraguatatuba está de parabéns, pois episódios como esse enriquecem a democracia. A Câmara Municipal merece aplausos por ter cumprido e estar cumprindo com seu dever. Haja vista que centenas de municípios estão com os olhos voltados à nossa cidade, acompanhando com interesse esses fatos.

O Sr. Prefeito está de parabéns, pois até aqui está conseguindo se manter, judicialmente, no cargo.

O Poder Judiciário, mais do que nunca, merece aplausos pelas decisões tomadas -- MINISTÉRIO PÚBLICO E JUIZ --, pois isso prova que os Poderes no Brasil estão com vida.

E, ao final, com todo o respeito a todos os interessados, acho que, quando tudo isso acabar, o Poder Executivo de Caraguatatuba vai sair arranhado. E por isso reafirmo: SRS. PREFEITOS, RESPEITEM O LEGISLATIVO.

Encerro mandando um recado aos que anonimamente estão telefonando a Vereadores de Caraguatatuba ameaçando que “quando o Boneca voltar, acertamos contas com ele”.

Claro, assim que me restabeleça, vou voltar. E espero ser respeitado da mesma forma que respeito a todos. Ao ser sorteado para Presidente da Comissão Processante, nada mais fiz do que cumprir com meu dever. O resto é com a JUSTIÇA!

Cordialmente,

GERALDO NOGUEIRA DA SILVA
(BONECA) Vereador

Em Tempo: Não estou em busca de promoção. No sou candidato a nada. Apenas acho que o assunto HARMONIA E RESPEITO ENTRE OS PODERES ESTÁ EM PAUTA NACIONAL."

domingo, 12 de junho de 2011

Secretaria Estadual de Turismo confirma projeto em Ubatuba

“Passos dos Jesuítas – Caminhos de Anchieta” no Iperoig
O projeto “Passos dos Jesuítas – Caminhos de Anchieta” inclui um caminho contemplativo, cumprido a pé, que reproduz parte das rotas percorridas pelos jesuítas.
O secretário de Turismo de Ubatuba foi recebido pelo secretário de Turismo do Estado de São Paulo, Márcio França e durante o encontro, foi confirmado o encerramento do projeto “Passos dos Jesuítas – Caminhos de Anchieta” em Ubatuba, no dia 14 de setembro, quando se comemora a Paz de Iperoig - o primeiro tratado de paz das Américas, celebrado em Ubatuba em 1563, entre índios e colonizadores. Nesta mesma época, o Padre José de Anchieta escreveu o famoso Poema à Virgem, constituído de 5.732 versos, nas areias da Praia de Iperoig.
O assessor técnico Maurício Juvenal afirmou que o evento em Ubatuba terá o apoio da Secretaria Estadual de Turismo. Outras questões relativas ao turismo no litoral do estado de São Paulo em períodos de alta e baixa temporada também fizeram parte dos assuntos discutidos durante a reunião.
Caminho contemplativo, valorizando o potencial turístico
O projeto do Governo do Estado “Passos dos Jesuítas – Caminhos de Anchieta” é um projeto turístico que inclui um caminho contemplativo, cumprido a pé, que reproduz parte das rotas percorridas pelos jesuítas, sobretudo na metade do século XVI, no litoral de São Paulo. O objetivo é valorizar a questão histórica que envolve as cidades do litoral paulista, utilizando a peregrinação como meio para sensibilização do potencial turístico de cada um dos municípios envolvidos.
Fonte: Assessoria de Comunicação/PMU
Caraguablog/JFPr

domingo, 22 de maio de 2011

Pesquisas apontam: Índios habitaram a Ilhabela há 590 anos

Parte das ilhas que integram o arquipélago de Ilhabela já era habitada muito antes da chegada dos primeiros europeus ao Brasil. Pesquisas arqueológicas realizadas pelo Projeto Arqueológico de Ilhabela já identificaram no território do município 14 sítios arqueológicos pré-coloniais, ou seja, locais que foram ocupados por seres humanos antes de 1500.

Treze desses sítios – descobertos nas ilhas de São Sebastião, dos Búzios e da Vitória – são o que os especialistas denominam “acampamentos concheiros”; que foram habitados – acredita-se que desde o ano 2.000 antes de Cristo – por “homens pescadores coletores do litoral”, indígenas assim denominados porque não dominavam a agricultura e nem a produção de cerâmica, vivendo apenas do que encontravam na natureza, especialmente animais marinhos.

Um outro sítio arqueológico pré-colonial foi localizado na Ilha de São Sebastião, no bairro do Viana, graças à existência no local de farto material cerâmico; o que permitiu determinar que ali existiu uma aldeia indígena do tronco lingüístico macro-jê. Recentes pesquisas laboratoriais comprovam que esses indígenas viveram ali há cerca de 590 anos.

Milhares de fragmentos arqueológicos já foram recolhidos e integram o acervo do Instituto Histórico, Arqueológico e Geográfico de Ilhabela.  (veja mais sobre a presença humana)
Fonte: Prefeitura Municipal de Ilhabela                                  Caraguablog/JFPr

domingo, 1 de maio de 2011

História do Dia do Trabalho

O Dia do Trabalho é comemorado em 1º de maio. No Brasil e em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado a festas, manifestações, passeatas, exposições e eventos reivindicatórios. 
A História do Dia do Trabalho remonta o ano de 1886 na industrializada cidade de Chicago (Estados Unidos). No dia 1º de maio deste ano, milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi a morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, a Segunda Internacional Socialista, ocorrida na capital francesa em 20 de junho de 1889, criou o Dia Mundial do Trabalho, que seria comemorado em 1º de maio de cada ano.

Aqui no Brasil existem relatos de que a data é comemorada desde o ano de 1895. Porém, foi somente em setembro de 1925 que esta data tornou-se oficial, após a criação de um decreto do então presidente Artur Bernardes.

Fatos importantes relacionados ao 1º de maio no Brasil:
- Em 1º de maio de 1940, o presidente Getúlio Vargas instituiu o salário mínimo. Este deveria suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer)

- Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Tiradentes: Um sonho que ainda não acabou...

Sozinho, ele pagou com a vida o sonho de libertar sua terra

Tiradentes Esquartejado, em tela
de Pedro Américo (1893).
Acervo: Museu Mariano Procópio
Hoje, 21 de abril, o Brasil homenageia Joaquim José da Silva Xavier, conhecido “Tiradentes”, líder da chamada Inconfidência Mineira ocorrida em Minas Gerais no fim do século 18.

Morto e esquartejado, teve suas partes exibidas em praça pública para inibir a todos que ousassem alimentar ideologias revolucionárias ou desejar a independência do Brasil, um país e um povo na época explorados impiedosamente pela Coroa Portuguesa.

Tiradentes lutou contra esse estado de coisas e pela causa ofereceu a sua vida. “Se dez vidas tivesse, dez vidas daria pelo Brasil”, teria dito. E hoje, há razões ainda para se lutar? Não faz muito tempo, em 1968, presenciamos perseguição e mortes por todo o país de pessoas que lutavam por liberdades, que tinham uma ideologia, aquela força vinda das entranhas e que motiva as pessoas a lutarem por suas causas.

A pobreza no Brasil é coisa abominável e não há “ideólogos”, ao menos aparentemente, que estejam dispostos a "mover uma palha", que dirá “dar a sua vida”, para mudar essa crueldade, onde o ter com o não-ter contrasta, onde a divisão da renda de um país altamente tecnológico e riquíssimo se processa de forma desumana e avilta a dignidade.

Tiradentes
Na manhã de sábado, 21 de abril de 1792, ele percorreu em procissão as ruas do centro da cidade do Rio de Janeiro, no trajeto entre a cadeia pública e onde fora armado o patíbulo. O governo geral tratou de transformar aquela numa demonstração de força da coroa portuguesa, fazendo verdadeira encenação. A leitura da sentença estendeu-se por dezoito horas; houve discursos de aclamação à rainha; o cortejo, munido de fanfarra, era composto por toda a tropa local. O historiador Bóris Fausto aponta essa como uma das possíveis causas para a preservação da memória de Tiradentes, argumentando que todo esse espetáculo acabou por despertar a ira da população que presenciou o evento, quando a intenção era, ao contrário, intimidar a população para que não houvesse novas revoltas.

Executado e esquartejado, com seu sangue se lavrou a certidão de que estava cumprida a sentença, tendo sido declarados infames a sua memória e os seus descendentes.

Sua cabeça foi erguida em um poste em Vila Rica, tendo sido rapidamente cooptada e nunca mais localizada; os demais restos mortais foram distribuídos ao longo do Caminho Novo: Santana de Cebolas (atual Inconfidência, distrito de Paraíba do Sul), Varginha do Lourenço, Barbacena e Queluz (antiga Carijós, atual Conselheiro Lafaiete), lugares onde fizera seus discursos revolucionários. Arrasaram a casa em que morava, jogando-se sal ao terreno para que nada lá germinasse.

A Sentença
“Portanto condenam o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi do Regimento pago da Capitania de Minas, a que, com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios das maiores povoações, até que o tempo também os consuma, declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu; [...]”
O Patrono Cívico do Brasil 
Foi a República e os ideólogos positivistas que presidiram sua fundação que buscaram na figura de Tiradentes uma personificação da identidade republicana do Brasil, mitificando a sua biografia.

Daí a sua iconografia tradicional, de barba e camisolão, à beira do cadafalso, vagamente assemelhada a Jesus Cristo e, obviamente, desprovida de verossimilhança. Como militar, o máximo que Tiradentes poder-se-ia permitir era um discreto bigode. Na prisão, onde passou os últimos três anos de sua vida, os detentos eram obrigados a raspar barba e cabelo a fim de evitar piolhos.

Também, o nome do movimento, "Inconfidência Mineira", e de seus participantes, os "inconfidentes", foi cunhado posteriormente, denotando o caráter negativo da sublevação – inconfidente é aquele que trai a confiança.

Outra versão diz que por inconfidência era termo usado na legislação portuguesa na época colonial e que "entendia-se por inconfidência a quebra da fidelidade devida ao rei, envolvendo, principalmente, os crimes de traição e conspiração contra a Coroa", e, que para julgar estes crimes eram criadas "juntas de inconfidência".

Atualmente, onde se encontrava sua prisão, funcionou a Câmara dos Deputados na chamada "Cadeia Velha", que foi demolida e no local foi erguido o Palácio Tiradentes que funcionava como Câmara dos Deputados até a transferência da capital federal para Brasília.

No local onde foi enforcado ora se encontra a Praça Tiradentes e onde sua cabeça foi exposta fundou-se outra Praça Tiradentes. Em Ouro Preto, na antiga cadeia, hoje há o Museu da Inconfidência.

Tiradentes é considerado atualmente Patrono Cívico do Brasil, e a data de sua morte, 21 de abril, é feriado nacional. Seu nome consta no Livro de Aço do Panteão da Pátria e da Liberdade, sendo considerado Herói Nacional.
O Blog de Caraguá - k

quarta-feira, 30 de março de 2011

Festa Japonesa “Caraguá Matsuri”

Taiko Okinawa durante as festividade do centenário no Japão
A Fundacc e a ACREC - Associação Cultural Recreativa e Esportiva de Caraguatatuba realizam no dia 2 de abril, a partir das 17h, na Praça Dr. Cândido Motta, o “Caraguá Matsuri” pelos 62 anos da colônia japonesa em Caraguá, comemorado em 17 de abril. 
Na programação, apresentações musicais com o Taiko Okinawa, Gaijin Sentai, comidas tradicionais e exposição e venda de objetos da cultura japonesa, entre outras atrações.

Dia 02 de abril - sábado - a partir das 17h
Praça Dr. Cândido Motta – Centro
Caraguablog/JFPr
Temos tradutor para o japonês ao lado>>>>>>>>>

quarta-feira, 16 de março de 2011

Caraguá: Um ano sem a Palmeira Imperial do Museu, aquela que foi imolada em público

Ontem, 15 de março de 2011, fez um ano que caiu a Palmeira Imperial que existia defronte do Museu Municipal, na praça Cândido Mota, atingindo o telhado do prédio. Ventos de até 120 quilômetros por hora derrubaram a árvore de cerca de 20 metros e que contava 69 anos de idade*.

Prédio do Museu - década de 50 - a palmeira ainda jovem
A palmeira estava sadia, segundo a historiadora Luzia Prado, que declarou textualmente: “Essa historiadora viu ‘com os olhos que a terra há de comer um dia’ que a nossa querida palmeira imperial não tinha insetos visíveis corroendo seu miolo (broca ou cupim)”. A culpa foi mesmo do vento, que fez outros estragos na cidade. Mas, o que poucos sabem é que, apesar de toda a realeza daquela palmeira imperial, autoridades municipais já foram impiedosas para com ela no passado.

Se a historiadora tivesse avaliado o seu tronco mais detidamente teria encontrado duas perfurações no caule, semelhante à mordida de um vampiro. Dois orifícios provocados por enormes pregos nela cravados pelas nossas autoridades do Poder Executivo Municipal e do Poder Legislativo. E mais: pelos ecologistas da época, ou que pelo menos assim se identificavam.

Segundo dados históricos, as duas palmeiras imperiais foram plantadas defronte da escola “Adaly Coelho Passos” em homenagem ao Dia da Árvore, exatamente no dia 21 de setembro de 1940, a mando do então prefeito Dr. Bláulio Pereira Barreto e pelo diretor da escola, professor Jorge Passos. Quem fez o serviço de plantio foi Francisco D’Onófrio, o mesmo que confeccionou às suas expensas e colocou na praia da frente a imagem de Iemanjá.

Quando aquelas palmeiras imperiais, que passaram a fazer parte do patrimônio municipal, completaram cinqüenta anos, os administradores municipais acharam de fazer uma nova homenagem a elas. O ano era 1990. E o dia, 21 de setembro: Dia da Árvore.

Foi uma homenagem insólita. Diante das autoridades reunidas, e de vereadores, e de ecologistas, e do povo, em vez do “parabéns a você”, cravaram dois enormes pregos na pobre cinqüentenária palmeira, perfurando seu caule até atingir suas entranhas, para assim tornar fixa uma placa “homenageando” a pobre coitada. Árvores não falam, não gritam, mas com certeza sentem. O que a nossa falecida palmeira sofreu certamente foi algo inominável.

Eis os dizeres jocosos constantes da placa: “Homenagem da Prefeitura, Câmara e Ecologistas, comemorando os 50 anos do plantio desta Palmeira, em 21.09.1940 – Dia da Árvore, pelo então Prefeito Dr. Braulio P. Barreto e pelo Diretor da Escola prof. Jorge Passos, hoje EEPG Adaly C. Passos. Caraguatatuba, 21.09.1990”. Bonito, não? E cravos na palmeira! Como aqueles que perfuram as mãos do Cristo.

Nossas distintas autoridades talvez desconhecessem que pelo buraco dos pregos, que em breve enferrujariam –como de fato enferrujaram e deixaram aberta a chaga–, doenças penetrariam facilmente, como brocas e cupins. E o pior, a umidade, entrando pela ferida aberta, provocaria um acelerado processo de apodrecimento do caule, até enfraquecer e comprometer todo o corpo lenhoso.

As três árvores da seqüência, defronte da Associação Comercial,
foram abatidas pelo facão público, embora saudáveis
Em Caraguá, parece que a preocupação com as árvores públicas nunca foi lá essas coisas. Basta ver como são podadas e a quantidade delas que morrem depois de receber o “tratamento” público. Isto sem falar daquelas retiradas a pedido de amigos ou de comerciantes, que se sentem incomodados com a presença do vegetal da calçada, até por esconder seus luminosos comerciais, e o sentenciam à morte. Três delas, em plena saúde, foram assassinadas pelo facão público bem defronte do prédio da Associação Comercial.

É com muita animação que hoje vemos algumas árvores ainda jovens darem as suas primeiras flores. São os vegetais plantados através de um programa da prefeitura incentivado pelo vice-prefeito Antonio Carlos Júnior, que na época substituía o pai. Foram inúmeras árvores frutíferas, floríferas e sombreiras plantadas nas calçadas das ruas centrais e que hoje nos encantam a todos com sua primeira florada.

As árvores plantadas por A.C. Júnior começam a dar flores.
Rua Teotino Tibiriçá Pimenta, centro.  Fotos: Caraguablog

Bom sinal. Sinal de que, felizmente, a canção ainda não está perdida.

*O Museu registra que a palmeira foi plantada em 21.09.1941, mas a placa colocada posteriormente indica como data de plantio 21.09.1940. Neste caso, ela teria 70 anos ao tombar.
O Blog de Caraguá - k

sexta-feira, 11 de março de 2011

Estados Unidos aposentam o ônibus espacial Discovery

Durante 26 anos, a Discovery realizou 39 missões
A espaçonave mais usada pelo homem fez o seu último pouso nesta quarta-feira (9). Durante 26 anos, a Discovery realizou 39 missões. Puseram em órbita vários satélites e levou para o espaço o telescópio Hubble, responsável pelas mais fantásticas imagens já feitas do universo. Também foi usada na construção da estação espacial.
Ainda restam em operação a Endevour e a Atlantis, que vão fazer seus últimos voos em abril e em junho. Depois disso, viram peça de museu.

Cada ônibus espacial custa US$ 1,7 bilhões. O primeiro a ser lançado foi 1981. Era o início de um projeto diferente do tradicional uso de um foguete propulsor como os que foram usados nas missões espaciais que levaram o homem à Lua.

Com o passar do tempo, o programa foi ficando caro demais: US$ 500 milhões por cada missão e os acidentes trágicos com a Challenger em 1986 e com a Columbia em 2003 ainda trouxeram dúvidas sobre a segurança do projeto.

O custo do programa espacial americano é algo que está em constante discussão no congresso americano. A cada ano que passa, a exploração espacial perde espaço no orçamento para gastos que precisam acontecer na Terra, como a geração de empregos e o estímulo à economia.

A partir de julho, os americanos vão depender dos russos para ir até a estação espacial. É a primeira vez na história que isso vai acontecer. E o futuro? Será parecido com o passado.

A NASA deve voltar a usar foguetes para mandar seus astronautas para o espaço, como antigamente. Mas terá que pedir e pagar carona: o projeto será todo financiado por empresas particulares, dos Estados Unidos e da Europa.
Fonte:www.jornalflorida.com.br 10/03/2011 - Video.Globo.com
Caraguablog/JFPr

sexta-feira, 4 de março de 2011

Curiosidade: como era feita travessia do Juqueriquerê quando não havia ponte?

E o que significa Juqueriquerê?

Ao passar por sobre o Rio Juqueriquerê ninguém costuma refletir muito acerca das coisas do nosso passado mais distante, como se a história pouco significasse e que o importante é viver o presente, com suas atribulações, acertos e desacertos, sempre em busca de algo que o próprio homem nunca sabe ao certo o que é.

foto: Caraguablog
O Rio Juqueriquerê tem histórias. Mas, antes de responder como as pessoas atravessavam o rio quando não existia ponte, precisamos nos situar melhor e saber o que exatamente significa “Juqueriquerê”. Não basta dizer que é palavra de origem indígena, originalmente grafada “Juquery-querê”, pois isto é o óbvio. Queremos o significado.

Em dissertação apresentada ao programa de pós-graduação da Universidade Estadual Paulista, Unesp, de Araraquara-SP, para obtenção do título de Mestre em Sociologia, Sílvia Regina Paes, uma nativa do Porto Novo, nos fornece o sentido do vocábulo: “Juqueriquerê significa, segundo os moradores de lá [Porto Novo], a ‘planta que dorme’, por ter uma quantidade grande de uma espécie de planta que, ao encostarmos nela, parece murchar”.

A mestranda se baseou em Sampaio (1978:364) para indicar a origem da palavra. É Sampaio que afirma que Juqueriquerê significa planta dorminhoca ou sensitiva. É a “dormideira” que conhecemos hoje, comum em qualquer parte da cidade e que abundava nas margens daquele caudaloso rio da nossa zona sul. Ao leve toque, a planta se fecha toda, constituindo exceção no reino vegetal por ter a sensibilidade exacerbada.

Bem, Juqueriquerê, planta que dorme, avançamos. Mas voltemos à pergunta inicial: antes da construção daquela ponte em arco que caracteriza o bairro Porto Novo, sobre o rio das plantas dorminhocas -- hoje com duas pistas e passarela para pedestres e ciclistas --, o que tínhamos? Isto é, como as pessoas atravessavam o rio?

A questão é intrigante. Outro dia, remexendo nas pastas do computador, encontrei uma foto que esclarece essa curiosidade. Não sei a sua origem, mas deve ser fruto de algum trabalho elaborado pela Fundacc, que possui vasta documentação sobre a história da nossa cidade e das nossas gentes. Só não sei como foi parar no meu PC.

clique na foto para vê-la aumentada
A foto mostra uma balsa de madeira, toda rústica, conforme se vê ao lado. As anotações feitas à mão parecem responder à indagação: “Balsa do Rio Juqueriquerê. Travessia de animais e pessoas e depois carros até ter a ponte de madeira, com a estrada. Foto em 1926 x 1929 (Arquivo Alvinho) – São Sebastião-SP – tel. xx-12-4521699 – Agnello – Outrora a divisa dos municípios”.

A foto pode ser mesmo de 1926 ou 1929, como sugere, mas não a anotação. Isto porque o Rio Juqueriquerê deixou de ser a divisa dos municípios de Caraguatatuba e São Sebastião em 1964, através da Lei Estadual nº 8.092, de 28 de fevereiro, que reorganizou o quadro territorial e administrativo do Estado. A partir daí, a linha divisória entre os municípios foi estabelecida no Rio Perequê-Mirim, com Caraguatatuba ganhando território e São Sebastião perdendo espaço.

Portanto, respondendo objetivamente à questão inicial, a balsa mostrada na foto é a que fazia a travessia de pessoas, animais e posteriormente de carros. Assim operava até o advento da construção de uma ponte de madeira com a implantação da estrada ligando os dois municípios. Essa ponte de madeira, muito escorregadia, facilitava a ocorrência de acidentes. Mas essa é outra história... 
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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Espírito Imperialista Brasileiro

Wikileaks: Colômbia reclamou com EUA do “espírito imperialista brasileiro”
Em 15 de dezembro de 2004, entre as 17h30 e 18h (15h30 e 16h em Brasília), o  então presidente colombiano Álvaro Uribe participou de uma reunião de alto nível no palácio presidencial com o então subsecretário-adjunto do Departamento de Estado dos Estados Unidos para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Charles Shapiro, o subsecretário-adjunto para o combate às drogas Jonathan Farrar e o embaixador norte-americano em Bogotá, William B. Wood, além do diretor de temas andinos, David Henifin.
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O fato é relatado em um dos documentos obtidos pelo Wikileaks aos quais  esta repórter teve acesso. São despachos da diplomacia norte-americana que tratam das relações entre o Brasil e outros países sul-americanos. Em vários deles, a resistência de algumas nações em relação à influência brasileira é evidente, embora também haja quem a veja com bons olhos e como contraponto aos EUA. 
Na época da reunião, Uribe estava há dois anos no cargo e empreendia a política que chamou de “segurança democrática”, para combater os grupos armados que atuam no país. A política, abertamente apoiada pelos EUA, fortaleceu o Exército do país e liberou estradas colombianas antes controladas pelas guerrilhas, empurrando os combatentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do ELN (Exército de Libertação Nacional) para as montanhas.
O principal tema da reunião foi a ajuda norte-americana na luta contra as FARC. Uribe afirmou, na reunião, que os grupos armados não poderiam resistir mais que cinco anos à pressão militar. O presidente colombiano também se queixou de Hugo Chávez, presidente da Venezuela.
 
A certa altura a conversa chegou ao Brasil.
“Uribe disse que a sua relação com [o então presidente] Lula é complicada pelos esforços de Lula em construir uma aliança anti-EUA na América Latina”, relata o documento. Em seguida, Uribe afirma que o Brasil teria pretensões imperialistas: “Lula é mais prático e inteligente que Chávez, mas é levado pelo seu passado de esquerda e o ‘espírito imperial’ brasileiro a se opor aos EUA”.
O ex-presidente colombiano disse ter pouca influência sobre Lula ou Chávez porque eles o veriam como um amigo dos EUA. Mesmo assim, afirmou que continuaria a pressionar Chávez a tomar ações contra narcotraficantes. Afirmou ainda que “Lula não cumpriu suas promessas de lutar contra o narcotráfico”.
Operamundi/Natalia Viana/São Paulo

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

A curva do Porto Novo

Contam que na época da construção da ponte do Porto Novo e da estrada ligando a São Sebastião, um caso curioso se passou. Corria o ano de 1958 e Jânio da Silva Quadros era o governador do Estado
imagem: Google Earth

Um pequeno trecho da estrada ligando Caraguá a São Sebastião ia precisar ser refeito com a construção da nova ponte. Mas essa obra iria também provocar a desapropriação de algumas casas no seu traçado. Dentre os imóveis, estava o único armazém da comunidade.

Lourival era o seu dono. Sempre atencioso, com dinheiro ou sem dinheiro ele dava um jeitinho de ajudar. Talvez por isso as pessoas se reuniram para discutir o que fazer para salvar o armazém da derrubada.

Foi aí que alguém se lembrou do Baianinho, que tinha fama de ser amigo do governador Jânio Quadros. Folclore ou não, falavam até que o Baianinho tinha chegado a tomar umas pinguinhas com o governador. Baianinho era popular no bairro e não recusou ajuda. “Vou falar com o Jânio”, prometeu.

Um dia, ele saiu bem cedo e foi parar no Palácio dos Bandeirantes. Pediu para falar com o chefão do Estado. “O senhor agendou para falar com o governador?”, perguntou a secretária. “Não”, respondeu. “Mas diz pro Jânio que é o Baianinho de Caraguá. Melhor: é o Baianinho do Porto Novo”.

Bem... pediu e foi atendido. E o trecho da estrada mudou o seu curso. É por isso que existe aquela curva na rodovia logo após a ponte do Porto Novo. Lourival manteve seu armazém e Baianinho provou que realmente era amigo de gente importante.

Depois disso, Jânio cresceu politicamente e virou presidente do Brasil. Baianinho se candidatou a prefeito de Caraguá; perdeu. Também tentou ser vereador, não conseguiu.

Muitos perguntavam pro Baianinho como ele iria pagar a dívida com o governador. Claro, ele não tinha resposta. Mas um dia pensou, pensou, e acabou achando um jeito bem simples de agradecer: deu nome “Jânio da Silva Quadros” a um filho e o nome da Primeira Dama “Eloá Quadros” a uma filha. 

Um gesto talvez ingênuo, todavia cheio de carinho e talvez a maior homenagem que alguém possa ter recebido em vida.
O Blog de Caraguá - k

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Matéria publicada pela Folha em 21 de março de 1967

AGORA, MORTOS E LAMA
Publicado na Folha de S.Paulo, terça-feira, 21 de março de 1967

Caraguatatuba está sob a lama, Sabado à tarde, depois de três dias de chuva, começou o deslizamento dos morros. Arvores foram arrancadas e arrastadas pela enxurrada, levando pessoas, animais e casas. Toda Caraguatatuba, desde a praia Martim de Sá - onde se sai para Ubatuba - até a Santa Casa, do outro lado da cidade, foi varrida. Oitenta corpos já foram recolhidos muitos deles ainda não identificados e por ora não se pode prever o numero de mortos: muitos lugares populosos não podem ser atingidos.

Por terra não se chega ao litoral Norte. Na estrada Paraibuna-Caraguatatuba a partir do Mirante, no quilometro 194, até o quilometro 199, trinta barreiras cairam, obstruindo a estrada. E no quilometro 202 a estrada desapareceu, levada pelas aguas, em quase dois mil metros. Aí, no sapé de um morro, isoladas de tudo e de todos, pessoas acenam desesperadamente para os helicopteros que passam ao longe.

Outra familia está ilhada num precipicio, na estrada. Caiu tudo ao redor e eles ficaram presos numa Kombi. Estão lá desde sabado, homens, mulheres e crianças. Hoje de manhã um helicoptero do Centro Tecnico de Aeronautica, de São José dos Campos, tentará a salvamento.

A primeira turma de salvamento chegou a Caraguatatuba no domingo de manhã. O transporte foi feito em rebocador, de Santos a São Sebastião, de lá em barco de pesca até Caraguatatuba. Eram soldados, enfermeiros e medicos. Outra turma, formada pelo delegado de Ubatuba, saiu de madrugada, por rodovia, e só chegou às quatro da tarde.

Logo depois do rebocador "Sabre", seguiu o navio oceanografico "Almirante Saldanha", levando esquipamento de socorro de emergencia e generos alimenticios. Era esperado de volta pela madrugada, trazendo para Santos 500 desabrigados e feridos. Tambem foi mobilizado o petroleiro "Mato Grosso", da Fronape.

Ontem o navio "Rio das Contas" deixou o Colegio Naval, em Angra dos Reis, e foi para Caraguatatuba para retirar feridos e desabrigados. Tambem o rebocador "Tritão" partiu da Guanabara levando mil litros de gasolina para o reabastecimento dos helicopteros da Marinha.

Às 21 horas o QG da Força Publica recebeu pelo radio aviso do comando do 5º Batalhão Policial de Taubaté, informando que a tropa que seguiu por terra já alcançou Caraguatatuba. O sistema de energia eletrica foi restabelecido parcialmente.

Para os primeiros socorros, a Força Publica mobilizou 350 homens, entre oficiais e praças, pertencentes a oito unidades, de São Paulo, Taubaté e Santos. A equipe que chegou ontem a Caraguatatuba levou emissora de radio portatil, que transmitirá para o QG os dados que forem sendo colhidos.

A informação da Policia Rodoviaria é de que a estrada de Paraibuna a Caraguatatuba poderá ficar interrompida por três meses. Uma variante deverá ser aberta, mas todos os homens e maquinas disponiveis foram deslocados para trabalhar na estrada entre Ubatuba e São Luís do Paraitinga, tambem interrompida, mas que está em condições de ser recuperada nos proximos dias.